PARTO INDUZIDO AUMENTA RISCOS PARA MÃES E BEBÊS

RESPONSABILIDADE SOCIAL

Com o aumento crescente no número de partos programados, é importante para os médicos e para as futuras mães entenderem os riscos associados com a indução eletiva do parto.

Tentando mensurar esses riscos, uma equipe de médicos da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, pesquisou mulheres que estavam dando à luz seu primeiro filho.

As conclusões mostram que induzir o trabalho sem uma razão médica – apenas por conveniência – está associado com problemas para a mãe, incluindo o aumento das taxas de cesárea, maior perda de sangue e um período de permanência no hospital mais longo.

E essa indução não traz qualquer benefício para o recém-nascido.

Partos com maior risco

Os pesquisadores descobriram que cerca de 34% das mulheres que optaram pela indução eletiva do trabalho de parto acabaram tendo uma cesariana, contra uma taxa de 20% entre as mulheres que aguardaram o parto natural.

Da mesma forma que a indução eletiva, afirmam os autores do estudo, a cesariana “pode ser vista ingenuamente como rotineira e sem risco, quando na verdade ela é uma grande cirurgia e, como toda cirurgia, aumenta o risco de infecções, complicações respiratórias e a necessidade de cirurgias adicionais, resultando em maior tempo de recuperação.”

Para cada 100 mulheres que se submeteram à indução eletiva, houve um adicional de 88 dias de permanência no hospital, representando custos acrescidos para a mãe e para o hospital.

Nos partos induzidos, os bebês foram mais propensos a precisar de oxigênio imediatamente após o parto.

Eles também se mostraram mais propensos a exigir atenção especializada de especialistas da unidade de terapia intensiva neonatal.

Conveniência versus bem-estar

“Os benefícios de um procedimento devem sempre superar os riscos. Se não houver quaisquer benefícios médicos para induzir o trabalho de parto, é difícil justificar fazê-lo eletivamente quando sabemos que isso aumenta os riscos para a mãe e o bebê,” afirma o Dr. Christopher Glantz um dos autores do estudo, que foi publicado no Journal of Reproductive Medicine.

Nos Estados Unidos, tem aumentado o número de partos programados, por conveniência das mães ou dos médicos, ou de ambos.

Isso tem sido considerado um problema pelos especialistas – ainda assim um problema considerado menos grave do que a cesárea eletiva em larga escala, como ocorre no Brasil.

Embora médicos e mães possam considerar que a indução do trabalho de parto não faz mal, ele não funciona tão bem quanto o parto natural – como se está essencialmente partindo do zero, sem a progressão natural dos organismos da mãe e do bebê, a chance de surgirem problemas é muito maior.

“Como profissional e como mãe, eu sei como pode ser tentador agendar o parto para deixar sua vida em ordem, mas há uma razão para que os bebês permaneçam no útero pelo tempo total natural da gravidez,” disse a Dra. Loralei Thornburg, especializada em medicina materno-fetal. “Por que colocar você e seu bebê em risco se você não precisa fazer isso?”

Os médicos afirmam que as conclusões só se aplicam ao primeiro parto – mães que passaram por parto induzido mas que já haviam tido um filho por parto natural não-induzido não tiveram aumento nos riscos.

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